segunda-feira, 29 de julho de 2019

Antigas tradições de bruxaria voltam à tona em "Desalma", série que o Globoplay prepara para 2020

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Gravações da nova série do Globoplay em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha [Fotografias: Divulgação/Estevam Avellar/TV Globo].

Prevista para estrear na plataforma de streaming em 2020, a produção é uma incursão atípica da Globo em uma trama sobrenatural. A história começa com o desaparecimento da jovem Halyna (Anna Melo) em 1988, na fictícia Brígida, cidade fundada por imigrantes ucranianos (o Brasil abriga a maior colônia do país na América Latina, com 80% de seus descendentes no Paraná).

Na ocasião do desaparecimento, a cidadezinha celebrava o Ivana Kupala, festa com origens pagãs e ligada a ritos de fertilidade que foi incorporada posteriormente ao calendário dos cristãos ortodoxos, e de fato é realizada na virada de 6 para 7 de julho. A tragédia fez com que a festa fosse banida do calendário da cidade e, trinta anos depois, quando a tradição é retomada, acontecimentos misteriosos voltam a acontecer.


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Apesar do frio na espinha que a produção promete gerar, o diretor artístico da série, Carlos Manga Jr., diz que Desalma não é puramente terror, 
mas um drama sobrenatural.

"É uma história que fala sobre questões metafísicas. Mas isso só acontece por um drama humano. Não é um terror gratuito. Uma mulher não aceita a perda sua filha, e isso faz com que ela retome as suas tradições de bruxaria" — afirma Manga, em relação à personagem Haia (Cássia Kis), que comandava o macabro ritual na fogueira durante as gravações no Sul.

Ao lado de Ignes (Claudia Abreu), amiga de Halyna na juventude, e de Giovana (Maria Ribeiro), que se muda para a cidade anos depois, Haia faz parte do núcleo de mulheres que conduz a trama. Elas vão se deparar com acontecimentos inexplicáveis em suas vidas. Com exceção do trio, a produção optou por rostos desconhecidos do público para os demais papéis. Uma escolha que, segundo Manga, ajuda a criar uma sensação geral de estranheza.

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Criada por Ana Paula Maia, Desalma é a primeira parceria de Manga com a escritora, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura em 2018, a se concretizar. Antes disso, o diretor havia adquirido os direitos para a adaptação do romance “Carvão animal” em filme. Mas a série furou a fila ao ter a sinopse aprovada pela Globo. Para Manga, Ana Paula é uma escritora que valoriza o gênero, algo que ainda precisa ser desenvolvido no Brasil — e essencial para atender às demandas do público que consome cultura pop no streaming.

"Por causa do streaming, as pessoas agora buscam naturalmente o produto de gênero. É mais do que oportuno, é necessário que a gente realmente comece a fazer obras do tipo. Precisamos conquistar esse público específico, que assiste a séries americanas, que espera as novas temporadas, frequenta a Comic-Con, cultua os produtos que segue" — diz ele.

Neste sentido, o desafio é adaptar produções do tipo para a realidade brasileira.

"O gênero não tem bandeira, não tem pátria. Se adéqua a todos os países do mundo. Em qualquer lugar, você tem histórias de medo, piadas populares… O que a gente precisa é criar localmente histórias que se ajustem a diferentes gêneros" — completa.



FAZER PENSAR

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Manga ainda vê diferença entre criar séries diretamente para o streaming no lugar da TV aberta. Ele diz que é preciso pensar em obras que exijam a entrega total do telespectador (em vez de contar com a recapitulação das tramas, mecanismo frequente nas telenovelas). Para a Globo, Manga também assinou recentemente a direção artística de outros dois grandes investimentos: 

“Se eu fechar os olhos agora”, adaptação do romance de Edney Silvestre, e “Aruanas”, produção para o Globoplay sobre mulheres que atuam em uma ONG na defesa da Floresta Amazônica.

"São obras que têm que fazer você pensar, prestar atenção, senão perde o fio da meada. Na direção, é criar atmosferas que levem a sua imaginação a trabalhar. Queremos que a audiência imagine por ela mesma, nada é entregue" — defende ele, que acredita que é daí que devem vir os calafrios no público. — "Você não vê as coisas, tem a sensação. Gosto de chamar de direção sugerida: uma porta fechada que quando aparece de volta está aberta, a câmera que levemente vai se aproximando de um ambiente em que nada acontece".


Adaptado de: O Globo

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