quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Teorias da conspiração sobre o assassinato de John Kennedy - Parte II

Teorias sobre a morte de John Kennedy

Confira a primeira parte deste artigo clicando no link abaixo: 

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Muito antes de surgirem as infames fake news, ocorreu o assassinato do Presidente John F. Kennedy e a imensidão de teorias da conspiração que se lhe seguiram. Um autor estimou que os teóricos da conspiração acusaram “42 organizações, 82 assassinos e 214 outras pessoas de estarem envolvidas no assassinato”. 

Segundo um inquérito de 2013, 62% dos americanos acreditam que aconteceu algo mais do que apenas a ação de Lee Harvey Oswald, sozinho num sexto andar sobre a Dealey Plaza em Dallas, mas se não foi isso, o que realmente aconteceu?




Segue abaixo algumas das mais prevalentes 
teorias da conspiração sobre o assassinato de John F. Kennedy.



CUBANOS E SOVIÉTICOS 

De todas as teorias de conspiração em torno do assassinato de Kennedy, esta é a mais provável de ser impulsionada ou desmentida pelos documentos divulgados.

Como relatado por Ian Shapira, do The Washington Post, os especialistas acreditam que muitos dos 3.100 documentos anteriormente inéditos se relacionam com a viagem de seis dias que Oswald fez à Cidade do México, dois meses antes do assassinato. Alguns creem que Oswald recebeu ordens de agentes soviéticos ou cubanos enquanto lá esteve.

Oswald tinha emigrado para a União Soviética em 1959, onde ficou dois anos e meio antes de retornar aos Estados Unidos, quando a sua dissidência já não era notícia. Em Setembro de 1963 viajou para a capital mexicana, tendo visitado as embaixadas cubana e soviética, aparentemente numa tentativa de se mudar para um dos países comunistas.

“Um oficial soviético que Oswald alegadamente contactou, Valeriy Kostikov, não era um simples oficial do KGB, pertencia também ao Departamento 13 do KGB, que o relatório da CIA descreve como ‘o departamento encarregado da sabotagem e dos assassinatos’, escreveu o Post em 1993, altura em que foi revelado um outro lote de documentos secretos.

Os historiadores estão assim muito interessados em saber o que o último lote de ficheiros irá revelar sobre os movimentos e encontros de Oswald na Cidade do México.

“Sempre considerei a viagem ao México o capítulo oculto da história do assassinato. Muitas versões saltam esse período”, disse a Shapira Philip Shenon, ex-repórter do New York Times e autor de um livro sobre a Comissão Warren. “Oswald andava a encontrar-se com espiões soviéticos e cubanos, e a CIA e o FBI tinham-no sob vigilância apertada. Não dispunham o FBI e a CIA de provas cabais de que ele era uma ameaça antes do assassinato? Se tivessem agido com base nessas provas, talvez não tivesse acontecido o que aconteceu. Essas agências podem estar com medo de que, se os documentos forem revelados, a sua incompetência e os seus erros sejam expostos. Eles sabiam o perigo que Oswald era, mas não alertaram Washington.”

Segundo algumas teorias, as agências secretas americanas sabiam do plano de Oswald, e deixaram que este se concretizasse porque queriam Kennedy fora de cena.

A CIA e o FBI investigaram o suposto envolvimento cubano e soviético, mas não encontraram nada. E tanto a Comissão Warren como o comité da Câmara dos Representantes descartaram esse possível envolvimento. Os próprios especialistas torcem o nariz a esta hipótese, apontando para o facto de que ambos os países consideravam ser mais fácil trabalhar com Kennedy do que com o seu vice-presidente.

Uma outra teoria defende que, quando Oswald se mudou para a União Soviética, o KGB treinou um duplo que assumiu a sua identidade e matou Kennedy. O homem por trás dessa hipótese chegou a conseguir convencer a viúva de Oswald a dar-lhe autorização para exumar os restos mortais, o que veio a acontecer a 4 de Outubro de 1981. A equipe que analisou o corpo concluiu, “para além de qualquer dúvida”, que era efetivamente Lee Harvey Oswald quem estava enterrado no cemitério Rose Hill, em Fort Worth.



MÁFIA

Nos dias que se seguiram ao assassinato do seu irmão, Robert Kennedy teve a sensação horrível de que o acontecido era culpa sua.

De acordo com o biógrafo Evan Thomas, “Robert Kennedy estava convencido de que, de alguma forma, era responsável pela morte do irmão. Que as suas tentativas de levar a máfia a tribunal e de matar Fidel Castro eram a causa, que tudo lhe tinha explodido nas mãos, como costuma dizer o pessoal das secretas.”




Não há, no entanto, quaisquer provas do envolvimento do crime organizado no assassinato do Presidente e, mais uma vez, os especialistas rejeitam essa possibilidade.

Ralph Salerno, ex-detective da polícia de Nova Iorque que investigou o envolvimento da máfia no âmbito da averiguação do comité da Câmara dos Representantes, disse ter analisado “milhares de páginas de vigilância eletrônica sobre líderes do crime organizado, por todo o território dos Estados Unidos" relativas à altura do assassinato, sem ter ouvido nada que considerasse suspeito (a não ser que tenha deixado algo passar batido).



O PAI DE TED CRUZ

Se há alguém que gosta de uma boa teoria da conspiração, esse alguém é Donald Trump. E o atual presidente dos Estados Unidos não se coibiu de, no ano de 2016, dar à Fox News a sua visão particular sobre o que se passou.

Trump, que estava nesse momento a discutir com o senador do Texas Ted Cruz a nomeação presidencial do Partido Republicano, alegou que o pai do seu oponente, Rafael Cruz, tinha sido visto com Oswald pouco antes do assassinato.

“O pai dele esteve com Lee Harvey Oswald pouco antes de ele ter sido morto”, disse Trump numa entrevista por telefone. 

“Toda a situação é ridícula! O que é isto? Não tenho razão? Antes de ele ter sido morto. E ninguém fala nisso. Toda a gente sabe, e ninguém fala disso!”

Aparentemente, Trump estaria a referir-se a um artigo de Abril de 2016 da National Enquirer, que tinha como título "Pai de Ted Cruz Ligado ao Assassinato de JFK!" 

O artigo estava acompanhado por uma fotografia que, segundo o tablóide, mostrava Oswald e Rafael Cruz a distribuírem panfletos pró-Castro em Nova Orleães em 1963.

Mesmo depois de garantir a nomeação, 
Trump manteve a amplamente desacreditada história.

“Tudo o que fiz foi ressalvar o fato de que, na capa da National Enquirer, há uma fotografia dele [Rafael Cruz] e do maluco do Lee Harvey Oswald a tomarem o pequeno-almoço”, afirmou Trump. “Não tive nada a ver com isso. Estamos a falar de uma revista que, francamente, devia ser muito mais respeitada. Apanharam o O.J. Apanharam o [John] Edwards. Apanharam isto. 

Quer dizer, se fosse o New York Times, teria ganho o prémio Pulitzer.”


Essas são apenas algumas das dezenas de teorias que circundam pela internet sobre a morte de John F. Kennedy, há artigos de inúmeras páginas que expõem teorias das mais sensatas até às mais absurdas, e a única coisa que se pode afirmar de fato é que, independente de haver conspiração por trás do acontecimento ou não,
 Kennedy foi vítima de um homicídio premeditado e muito bem articulado.


Artigo adaptado do Jornal Público por Dayana Bathory

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